Configurações e reconfigurações em cenários musicais brasileiros

Essa mesa temática tem como objetivo abordar reflexões sobre processos de configuração e reconfiguração (Elias, 1994) inerentes a três cenários musicais brasileiros. Nesse sentido, tendo como foco práticas músico-laborais, gêneros musicais e suas práticas e práticas devocionais goianas, serão abordados: a) as configurações e reconfigurações na trajetória dos pianeiros brasileiros (finais dos séculos XIX e primeira metade do XX); b) o gênero musical choro e o alargamento de suas fronteiras em Brasília, a capital do Brasil (finais do século XX e século XXI); e c) o passionário vilaboense do estado de Goiás (século XXI). A primeira abordagem, com enfoque no  representacional (Chartier, 2002), traz a figura do pianeiro—o músico profissional do piano—percebido como um dos agentes fundamentais nos processos de interação entre práticas musicais e culturais vigentes em finais do Império e nos primórdios da República no Brasil; a segunda abordagem, conforme fundamentação em Mikhail Bakhtin (2003), contempla o gênero musical choro e suas práticas, observado em suas configurações e reconfigurações ocorridas na capital brasileira, advindas do diálogo com outros gêneros musicais nacionais e internacionais, instauradoras de uma polifonia de vozes que evidencia hoje outros direcionamentos para o gênero; a terceira abordagem, por sua vez, em sintonia com as reflexões de Michel Maffesoli (2005) sobre o barroquismo, busca situar o barroco como arcabouço para processos de configuração e reconfiguração de práticas, onde determinados repertórios foram re-significados, abandonados ou introduzidos. Uma estrutura englobante de elementos culturais diversos e de temporalidades distintas, que, coexistindo no mesmo cenário festivo devocional na cidade de Goiás, antiga Vila Boa, possibilitou a expressão de identidades múltiplas e cambiantes. A opção pelo aporte teórico, no enfoque das três abordagens propostas, tem como elemento de coesão a noção de processos identitários e seu caráter performático, segundo reflexões também de Stuart Hall (2005). Justifica-se pela convicção da emergência de um enfoque em que a música, enquanto campo de conhecimento, clama pelo diálogo com áreas afins, efetivando, dessa forma, a necessária abordagem interdisciplinar.