Dois estilos sertanejos que ficaram de fora do mapa: A rumba e a cueca chilena

O segmento musical sertanejo caracteriza-se por uma enorme fecundidade estilística, fruto de inter-relacões socioculturais estabelecidas com a música latino americana; destacam-se a paraguaia, a mexicana e a argentina. A cueca chilena e a rumba também podem ser identificadas no repertório de músicos sertanejos, porém, diferente das outras congêneres, ambas não tiveram a mesma repercussão, tampouco foram foco de estudos musicológicos no Brasil. Todavia, em análises preliminares do período em que o segmento sertanejo se escancarou a novas experiências estéticas, nota-se que a rumba, de forma velada, foi coadjuvante de um dos ritmos mais exitosos, o pagode de viola. Já a cueca, é cercada por um fato pitoresco: segundo o maestro paraguaio Oscar Safuan (2004), o nome não soava bem em português, dada a referência explícita à peça íntima do vestuário masculino; diante disso mudaram o nome para carrilhão. Hoje, para além disso que pode ter contribuído para obscurecer tanto as referências à música chilena, fato é que não há pesquisa que abordem mais essa mescla peculiar da música sertaneja. O mesmo se dá com a rumba, que, praticamente passa desapercebida como um estilo musical outrora gravado por duplas. A par do exposto, esse trabalho busca historicizar esses estilos musicais no âmbito do segmento sertanejo, desvelando suas tensões socioculturais, principais agentes, repertório, arranjos e intérpretes. Para realizar essa investigação, não se pode dispensar o que já foi estudado acerca do referido tema por González (2013, 2004), Ulhôa (2004), Higa (2010, 2013), Oliveira (2009), e também ampliar a pesquisa discográfica, bem como valer de entrevistas com alguns agentes desse período: maestros Itapuã (2013) e Martinez (2015), além do músico Mococa e do diretor artístico da gravadora Chantecler, Bacarin (2013).