Juan Carlos Paz e o Grupo Renovación: Encruzilhadas estéticas e interpessoais (1933-1945)

O presente trabalho visa apresentar uma reflexão acerca da trajetória do compositor argentino Juan Carlos Paz (1897-1972) enquanto membro do Grupo Renovación, partindo do pressuposto de que suas escolhas estéticas e pessoais, no período entre 1933 a 1945, se deram num diálogo intenso com as transformações políticas e culturais de seu tempo. O movimento migratório de músicos europeus para os países da América Latina em virtude dos acontecimentos que precederam a Segunda Guerra possibilitou, dentre outros, a chegada da pianista austríaca Sofia Knoll em Buenos Aires, em 1936, e sua imediata integração no Grupo Renovación. A parceria estabelecida entre Paz e Knoll, associada a conflitos estéticos e interpessoais, contribuiu para um processo de afastamento gradativo do compositor em relação ao Grupo. Trabalhamos com dois tipos de fontes: as cartas de Paz trocadas com Curt Lange entre 1933 a 1945; e suas partituras para piano, do mesmo período. Ao confrontarmos estas fontes com textos de autores que problematizam a produção musical de Juan Carlos Paz no contexto da América Latina (Corrado, 2012; Scarabino, 2000; García Muñoz, 1989), constatamos que o encontro entre Paz e Knoll ainda não encontrou a acolhida necessária na historiografía musical. O que as fontes nos revelam, por sua vez, é a possibilidade de uma nova perpectiva para a análise e compreensão da trajetória do compositor, como nos faz antever o trecho abaixo extraído da carta de Lange a Paz, em 8/10/1936:
“La posición, o mejor dicho, los componentes del Grupo, en su actitud fueron poco felices porque no supieron separar el problema íntimo del amigo, de los problemas del artista y creador. En este caso, por razones de sentimientos, siempre hubiera sido muy difícil a Castro, ponerse de acuerdo con Ud. pero me extraña en los demás.”
Por fim, recorreremos a Bourdieu (2002), para quem uma obra artística é parte de um processo de lutas entre aqueles que ocupam  momentaneamente a posição dominante, para nos auxiliar na complexa articulação entre o homem, o artista, a obra e seu tempo.