Rotas do Lundu da Monroi: Identidade e análise comparativa do tema com variações

A atuação da bailarina Marie-Antoinette Monroy nos teatros de Lisboa teve um forte impacto, particularmente pela sua atuação num Lundu com Nichilé como parceiro de dança (Rocha, 2014), “[…] sempre com estrondosos aplausos” como registado por Carl Israel Ruders, na narrativa da sua viagem a Portugal entre 1798-1802 (Ruders, 2002: 290-291). A prática do lundu foi fortemente propagada em vários teatros latinoamericanos, tanto no Brasil, onde vários estudos atestam a sua importância, como também em teatros de Buenos Aires, Montevideo, Arequipa, Santa Cruz de la Sierra, Valparaíso, e Lima (Ulhôa e Costa-Lima, 2013). Referido em várias fontes como Lundu da Monroi (Muruá, Marruá, Mon Roi, etc), esse tema foi alvo de vários temas e variações, particularmente para teclado. Partindo de uma seleção de alguns desses manuscritos musicais (Sá, 2008: 326; Lima, 2010: 204-205), cujo tema propagou-se no Brasil (Budasz, 2002: 50), pretende-se nesta comunicação apresentar uma análise comparativa de diferentes versões, partindo de uma perspectiva melódica que permite definir traços identitários que se encontravam subjacentes no princípio da improvisação, interpretação, processos compositivos e didáticos entre os finais do século XVIII e inícios de XIX.