Tópicas musicais na música brasileira: O “canto de xangô”

Este trabalho pretende analisar e demonstrar as características e utilização do tipo xangô e da tópica canto de xangô dentro de algumas obras do repertório brasileiro. Desta forma, será feita a identificação e sistematização das principais características do tipo xangô proposto por Eero Tarasti (1995:308) na obra Villa-Lobos, e de uma das tópicas mais utilizadas por Villa-Lobos, que aqui chamaremos de tópica canto de xangô, considerada pelo autor um arquétipo da qualidade de afro-brasileiro. Assim, será feita a identificação desta tópica em obras como as canções Xangô de Villa-Lobos e Canto de Xangô de Baden Powell, a introdução de Samba do avião de Tom Jobim, a peça para piano Dansa Negra de Camargo Guarnieri, e a peça Coisa n. 5 (Nanã) de Moacir Santos. Sendo a tópica musical uma figura de representação, entendemos que sua configuração aparente não precisa estar conforme à sua função real e nem ser sua representação literal. Nesse sentido, analisarei também como esses compositores representaram a música afro-brasileira em suas obras através do tipo xangô e da tópica canto de xangô. Para a presente análise, este trabalho se apoiará em autores como Leonard Ratner, Kofi Agawu, Robert Hatten, Raymond Monelle, Márta Grabócz e Eero Tarasti. Na América Latina, nos servem como referência trabalhos realizados por Melanie Plesch, Paulo de Tarso Salles, Acácio Piedade, Rodolfo Coelho de Souza, Gabriel Moreira e Daniel Zanella que propõem tópicos para a música latino-americana. Desta forma, será verificada a possibilidade de considerar canto de xangô uma tópica na música brasileira, demonstrando sua ocorrência, utilização e autonomia como tópica ao ser encontrada em diferentes obras. Assim, será possível alinhavar as caraterísticas em comum das obras analisadas, e perceber como o tipo xangô e a tópica canto de xangô percorrem o repertório da música brasileira.